Diagnóstico laboratorial segue fundamental no controle da Mpox
A Mpox, doença viral causada pelo vírus Monkeypox (MPXV), permanece sob monitoramento internacional após a declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional pela Organizacao Mundial da Saude (OMS) em 2022, mantida em diferentes níveis de alerta conforme a evolução epidemiológica. Em 2025 e início de 2026, surtos localizados continuam sendo registrados em diversos países, com predominância da transmissão por contato próximo, reforçando a necessidade de vigilância contínua e resposta rápida dos sistemas de saúde.
Para Celso Granato, médico infectologista e patologista clínico da SBPC/ML, a medicina laboratorial ocupa papel central na contenção da doença. “O diagnóstico preciso é o que permite interromper cadeias de transmissão. A suspeita clínica precisa ser confirmada por exame molecular o mais rápido possível”, afirma.
O período de incubação da Mpox varia de 5 a 21 dias. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, mal-estar e linfadenopatia, seguidos pelo surgimento de lesões cutâneas características, que evoluem de forma relativamente uniforme — aspecto que auxilia na diferenciação de doenças como a varicela. Em 2025, observou-se maior atenção a apresentações clínicas atípicas, especialmente em casos com poucas lesões ou manifestações localizadas.
No diagnóstico, o padrão-ouro continua sendo o PCR em tempo real para detecção do DNA viral em amostras coletadas das lesões. A ampliação da capacidade diagnóstica no Brasil desde 2022 consolidou uma rede de testagem que inclui laboratórios públicos de referência, como o Instituto Adolfo Lutz, a Fundacao Oswaldo Cruz e o Instituto Evandro Chagas, além de laboratórios privados habilitados. “Hoje temos ferramentas capazes de diferenciar o MPXV de outros Orthopoxvirus com alta sensibilidade e especificidade, garantindo segurança diagnóstica”, explica Granato.
As estratégias de prevenção seguem baseadas na identificação precoce de casos, rastreamento de contatos e vacinação direcionada. A vacina de terceira geração, utilizada de forma estratégica em grupos de maior risco e contatos próximos, permanece disponível de forma controlada. Paralelamente, autoridades sanitárias mantêm protocolos de vigilância em pontos de entrada no país e reforçam orientações às redes assistenciais.
Além da confirmação diagnóstica, a medicina laboratorial também é essencial no acompanhamento de possíveis complicações, como infecções bacterianas secundárias, e na avaliação de pacientes imunossuprimidos, grupo que pode evoluir com formas mais graves da doença.
“O cenário atual não é de pânico, mas de atenção permanente”, conclui Granato. “A experiência recente mostrou que resposta rápida, testagem adequada e informação de qualidade são determinantes para evitar a disseminação. O diagnóstico laboratorial continua sendo uma das principais ferramentas de saúde pública no enfrentamento da Mpox.”

