Publicado em: 14 abril 2026 | 16:00h

Gripe, resfriado ou Covid-19? Testagem de vírus respiratórios volta a ser essencial diante da alta circulação no país

Com alta de influenza e circulação simultânea de vírus respiratórios, especialistas alertam que diagnóstico correto é essencial para tratamento precoce e proteção de grupos vulneráveis

Com a chegada das estações mais frias e o aumento de casos de doenças respiratórias, médicos reforçam um alerta que ganhou força durante a pandemia: identificar corretamente o vírus causador dos sintomas é fundamental para orientar o tratamento, evitar complicações e reduzir a transmissão; especialmente entre grupos mais vulneráveis. Dados recentes da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica indicam mudança no perfil de circulação viral no Brasil. Enquanto a positividade para Covid-19 permanece em níveis baixos, variando entre cerca de 1% e 5% em semanas recentes, os casos de influenza A (incluindo H1N1) voltaram a crescer, com taxas superiores a 15% em alguns períodos. Ao mesmo tempo, o vírus sincicial respiratório (VSR) segue como uma das principais causas de internação em crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos.

Para a infectologista e patologista clínica Carolina Lázari, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, o cenário exige mais atenção da população. 

“Os sintomas podem ser muito parecidos, mas os vírus são diferentes e podem evoluir de formas distintas. Sem o teste, é impossível ter certeza do diagnóstico apenas pela avaliação clínica”, afirma.


Sintomas semelhantes, riscos diferentes

Espirros, coriza, dor de garganta, febre e mal-estar são sinais comuns tanto de resfriados quanto de quadros mais graves, como gripe (influenza) e Covid-19. Em geral, resfriados, frequentemente causados por rinovírus, tendem a ser mais leves. Já a gripe costuma provocar febre alta, dores no corpo e maior prostração.

Na prática, porém, essa distinção nem sempre é clara.

“Um mesmo vírus pode causar sintomas leves em uma pessoa e quadros graves em outra, dependendo da idade, das comorbidades e da resposta imunológica”, explica a especialista.


Segundo o Ministério da Saúde, doenças respiratórias seguem entre as principais causas de internação no país durante o outono e o inverno, com impacto relevante sobre o sistema de saúde, especialmente entre idosos, crianças e imunossuprimidos.

Testar para tratar melhor e no tempo certo

A testagem voltou a ganhar relevância não apenas para confirmar o diagnóstico, mas também para orientar o tratamento. Isso porque alguns vírus já contam com terapias específicas que devem ser iniciadas precocemente.

“Hoje temos antivirais eficazes, como o oseltamivir para influenza e tratamentos específicos para Covid-19. Mas eles funcionam melhor quando iniciados nos primeiros dias de sintomas. Sem o diagnóstico, o paciente pode perder essa janela terapêutica”, destaca Carolina Lázari.

Além disso, a confirmação de infecção viral ajuda a evitar o uso inadequado de antibióticos; prática ainda comum e que contribui para o avanço da resistência bacteriana, considerada uma das maiores ameaças globais à saúde.

Mais acesso a exames

O Brasil ampliou significativamente a oferta de testes desde a pandemia. Hoje, há desde testes rápidos de farmácia até exames laboratoriais mais sofisticados. Os testes de antígeno, disponíveis em farmácias, são uma alternativa inicial, enquanto exames moleculares, como o PCR, oferecem maior precisão. Já os painéis respiratórios multiplex permitem identificar múltiplos vírus em uma única amostra, sendo especialmente indicados para pacientes de maior risco.

Vacinação continua sendo a principal proteção

A testagem, no entanto, não substitui a prevenção. A vacinação contra influenza segue como a principal estratégia para reduzir casos graves e mortes. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), que também monitora fatores de risco e doenças associadas, campanhas anuais de vacinação são fundamentais para conter o impacto de doenças respiratórias no país. No caso da Covid-19, o reforço vacinal continua recomendado, especialmente para grupos prioritários.

Responsabilidade coletiva

Para especialistas, o aprendizado da pandemia não pode ser perdido. Evitar contato com pessoas vulneráveis ao apresentar sintomas, adotar medidas de higiene e buscar diagnóstico são atitudes que ajudam a proteger toda a comunidade.

“Testar não é apenas uma decisão individual. É uma medida de saúde pública. Só com o monitoramento dos vírus em circulação conseguimos orientar políticas, prever surtos e proteger os mais vulneráveis”, conclui a médica da SBPC/ML.


Em um cenário de múltiplos vírus circulando simultaneamente, tratar tudo como “virose” pode parecer inofensivo, mas pode atrasar diagnósticos, comprometer tratamentos e aumentar riscos evitáveis.