Publicado em: 04 março 2026 | 17:10h

Dia Mundial do Rim 2026: há um papel estratégico do diagnóstico precoce na saúde renal

Sociedade recomenda inclusão sistemática da Taxa de Filtração Glomerular (TFG) nos laudos laboratoriais. Doença Renal Crônica pode se tornar uma das cinco principais causas de morte até 2040

A Sociedade Brasileira de Patologia Clinica e Medicina Laboratorial se une à Sociedade Brasileira de Nefrologia nas ações do Dia Mundial do Rim 2026, celebrado em 12 de março, reforçando a importância do diagnóstico laboratorial precoce para conter o avanço da Doença Renal Crônica (DRC). Dados mais recentes da SBN indicam que mais de 170 mil brasileiros realizam diálise atualmente, com cerca de 50 mil novos pacientes iniciando terapia renal substitutiva a cada ano.

Mundialmente, projeções do Global Burden of Disease apontam que a DRC pode se tornar a quinta principal causa de morte até 2040. O principal desafio é o diagnóstico tardio: estima-se que até 90% dos pacientes nos estágios iniciais não saibam que têm comprometimento da função renal.

TFG no laudo: informação essencial para decisão clínica - Dentro da campanha, a SBPC/ML reforça junto aos laboratórios clínicos a recomendação de que todos os laudos de creatinina sérica incluam automaticamente a estimativa da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), calculada pela equação CKD-EPI 2021; modelo adotado internacionalmente e que não utiliza o critério de raça ou etnia.

Segundo Adagmar Andriolo, médico patologista clínico e membro da SBPC/ML, a inclusão da TFG no laudo amplia a capacidade de detecção precoce da disfunção renal.

“A TFG é hoje um dos principais parâmetros para avaliação da função renal. Quando esse dado já está disponível no laudo, facilita a interpretação médica, contribui para ajuste seguro de medicamentos e permite intervenção mais precoce”, destaca.


A recomendação segue diretrizes atualizadas da National Kidney Foundation e da American Society of Nephrology, que revisaram as equações de estimativa da TFG para eliminar o fator racial, promovendo maior equidade no cuidado.

Quem deve monitorar a função renal? - A SBPC/ML recomenda que pessoas a partir dos 40 anos realizem avaliação periódica da função renal; indivíduos com diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares ou histórico familiar de doença renal façam acompanhamento regular, independentemente da idade; idosos tenham monitoramento sistemático, considerando que o envelhecimento é fator de risco importante.

A creatinina sérica não exige jejum específico, mas é recomendado evitar esforço físico intenso no dia anterior e consumo excessivo de carne vermelha ou suplementos com creatina. Alguns medicamentos — como cimetidina, fenofibrato, ritonavir e trimetoprima — podem interferir nos níveis de creatinina, devendo ser informados ao médico.

Por outro lado, baixa massa muscular, dieta vegetariana estrita e doenças musculares podem reduzir os níveis de creatinina e superestimar a TFG, exigindo interpretação clínica cuidadosa. A estimativa da TFG não deve ser utilizada isoladamente em gestantes, pacientes com função renal instável ou doença hepática grave. Nesses casos, métodos alternativos, como a depuração de creatinina com coleta cronometrada de urina, podem ser indicados.