SBPC/ML acompanha tendências globais da Medicina Laboratorial durante o ADLM 2026
Representantes da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) participaram do ADLM 2026, encontro internacional promovido pela Association for Diagnostics & Laboratory Medicine (ADLM), realizado de 26 a 30 de julho, no Anaheim Convention Center, em Anaheim, na Califórnia, Estados Unidos. O evento reuniu especialistas de diferentes países para discutir avanços científicos, novas tecnologias e tendências que devem influenciar o futuro da Medicina Laboratorial.
Considerado um dos principais encontros mundiais da área, o ADLM Annual Meeting reúne programação científica e uma ampla exposição dedicada às tecnologias para o laboratório clínico. A edição de 2026 contou com mais de 65 sessões científicas conduzidas por especialistas e uma exposição com mais de 700 empresas, abrangendo diferentes áreas da Medicina Laboratorial.
Para o médico patologista clínico e vice-presidente da SBPC/ML, Leonardo de Souza Vasconcellos, a participação da entidade contribui para aproximar a Medicina Laboratorial brasileira das principais discussões internacionais.
“A presença da SBPC/ML no ADLM 2026 reforça o compromisso da nossa Sociedade em manter a Patologia Clínica brasileira na vanguarda do conhecimento científico mundial. Também nos permite estreitar laços com lideranças internacionais, acompanhar de perto as inovações tecnológicas que estão redefinindo o setor e garantir a representação brasileira nesses eventos globais”, afirma Vasconcellos.
Entre os assuntos que ganharam destaque na programação estiveram as aplicações avançadas da espectrometria de massas e a descoberta de biomarcadores, principalmente no rastreamento e monitoramento oncológico. A inteligência artificial e a automação também estiveram presentes em diferentes discussões, com aplicações nas fases pré-analítica, analítica e pós-analítica dos exames.
Outro campo de interesse foi a medicina de precisão, com estudos relacionados às doenças neurodegenerativas e crônicas. A programação também contemplou prevenção e tratamento do diabetes, avanços no rastreamento do câncer do colo do útero e descoberta de biomarcadores por espectrometria de massas aplicada ao câncer.
“Foi um congresso com discussões transformadoras. Vimos desde inteligência artificial cada vez mais integrada aos fluxos de trabalho laboratoriais até avanços em espectrometria de massas, biomarcadores, medicina de precisão e novas formas de ampliar o acesso ao diagnóstico. São mudanças que podem trazer mais precisão, eficiência e capacidade de apoiar a decisão médica”, destaca Vasconcellos.
Intervalos de referência em adultos e crianças, biomarcadores de lesão renal aguda e doença renal crônica, lipoproteína (a) [Lp(a)] e risco cardiovascular, uso consciente dos exames laboratoriais, testes laboratoriais remotos, marcadores da tireoide, gestão da fase analítica e análises realizadas em outras amostras biológicas, como a saliva, também estiveram entre os temas acompanhados pela delegação.
Da inovação internacional à realidade brasileira
Segundo Vasconcellos, muitas das tecnologias discutidas internacionalmente já estão disponíveis no Brasil, embora persistam diferenças importantes de acesso e infraestrutura entre os serviços. Entre as áreas com potencial de expansão estão as ferramentas capazes de ampliar o rastreamento populacional e a eficiência diagnóstica, como métodos de autocoleta e testes realizados próximos ao paciente, conhecidos como point-of-care testing.
“A incorporação gradual de ferramentas baseadas em inteligência artificial e a expansão do uso de plataformas de espectrometria de massas em grandes centros laboratoriais são tendências importantes para otimizar processos, agilizar resultados e apoiar a tomada de decisão médica tanto no Sistema Único de Saúde quanto na saúde suplementar”, explica.
Parte das discussões observadas nos Estados Unidos estará presente no 58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML). A inteligência artificial, por exemplo, está diretamente relacionada ao tema central desta edição do congresso brasileiro: “Novas fronteiras do diagnóstico em tempos de IA”.
“Muitos temas do ADLM 2026 já estão na nossa grade científica, entre eles o papel da inteligência artificial no laboratório. O grande aprendizado é que a inovação tecnológica é contínua e precisa caminhar lado a lado com a educação médica e a rigorosa garantia da qualidade. O conhecimento científico é cada vez mais dinâmico e precisamos estar preparados para transformar esses avanços em benefícios para os pacientes”, ressalta Vasconcellos.
Ciência, tecnologia e novos biomarcadores
O médico patologista clínico Carlos Aita, presidente regional Sul da SBPC/ML e presidente do 58º CBPC/ML, também participou do encontro e acompanhou sessões científicas e a exposição tecnológica. Para ele, a amplitude da programação é um dos diferenciais do ADLM.
“O ADLM é um dos maiores eventos mundiais de Medicina Laboratorial, tanto na parte científica quanto na exposição. As principais novidades do setor estão presentes. Participei de diversas sessões e o nível científico foi muito elevado, com tantas apresentações em diferentes áreas que era difícil escolher qual assistir”, relata.
Entre os destaques acompanhados por Aita esteve a conferência plenária dedicada aos biomarcadores para doença de Alzheimer na síndrome de Down. O especialista ainda acompanhou apresentações sobre intervalos de referência, interferentes em imunoensaios e prevenção e tratamento do diabetes.
“Uma conferência que me chamou muita atenção discutiu biomarcadores para doença de Alzheimer na síndrome de Down, um assunto muito atual. Também destaco apresentações sobre intervalos de referência, interferentes em imunoensaios e prevenção e tratamento do diabetes. Foram discussões de excelente nível científico”, afirma.
Na área de exposição, Aita visitou estandes de grandes fornecedores internacionais e conheceu tecnologias e produtos que poderão chegar aos laboratórios clínicos nos próximos anos. “É uma oportunidade de observar de perto as novidades que provavelmente estarão presentes em muitos laboratórios em um futuro próximo”, acrescenta.
Participação brasileira e integração do diagnóstico
Além de acompanhar a programação, Carlos Aita participou, em 27 de julho, da mesa-redonda “Who Owns the Diagnosis? Dos resultados laboratoriais ao cuidado integrado”, organizada pela Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) como parte da 3ª Missão Brasileira no ADLM 2026. “Participaram da mesa colegas e lideranças de grandes empresas nacionais e internacionais, o que tornou a discussão muito enriquecedora. Foi uma oportunidade para debater o papel do diagnóstico e sua integração com o cuidado ao paciente”, relata Aita.
A Missão Brasileira reuniu entidades e representantes do setor de diagnóstico, entre elas SBPC/ML, Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), CBDL, Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e LIS Brasil. A iniciativa busca fortalecer a presença e a representatividade dos profissionais e das empresas brasileiras no cenário internacional. Além de Leonardo Vasconcellos e Carlos Aita, os diretores da SBPC/ML Fabio Sodré, Rafael Jácomo e Carlos Eduardo também estiveram presentes no ADLM 2026.
Para Vasconcellos, a participação em encontros internacionais amplia tanto o intercâmbio científico quanto a projeção da Medicina Laboratorial produzida no Brasil. “Estar presente no ADLM consolida a SBPC/ML como uma sociedade científica ativa e sintonizada com os rumos internacionais da Patologia Clínica. Essa inserção nos permite não apenas absorver o que há de mais moderno no exterior, mas também projetar a ciência e as boas práticas da Medicina Laboratorial brasileira no cenário internacional, fomentando cooperações científicas e parcerias que beneficiam nossos associados e a qualidade da assistência à saúde no Brasil”, conclui.

