Edição Set-Out 2026 Publicado em: 15 setembro 2026 | 15:34h

O impacto das mudanças climáticas nas doenças fúngicas

Painel sobre Micologia discutiu o cenário atual e projeções futuras com série de palestras

Uma das palestras apresentadas no primeiro dia do  58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML), nesta terça-feira, 15/09, foi “Mudanças climáticas e impacto na emergência de fungos patogênicos e resistência”, da Dra Sarah Gonçalves Tavares. 

“A real dimensão das doenças fúngicas é silenciosa e subestimada”, explicou, alertando que esses microrganismos são impulsionados pelas mudanças climáticas, poluição e aplicação massiva de fungicidas no ambiente agrícola. Eventos climáticos extremos podem aumentar a exposição humana a fungos e o risco de doenças. 

Foram apresentados surtos associados a desastres naturais, sendo o primeiro em 1985, com a erupção de um vulcão na Colômbia. Assim como tornados, furacões e tempestades de vento – que podem carregar esporos fúngicos a longas distancias, até 500km, e surtos após atuação em combate a incêndios florestais.
 
A especialista também alertou para riscos futuros, com conflitos de pipelines agrícola e clínico, causados por novos agrofungicidas que tem mecanismos de ação compartilhado com os medicamentos que estão em desenvolvimento.

“Não podemos mais pensar em doenças fúngicas apenas em pacientes imunocomprometidos. O ambiente está mudando e os fungos também, nossas próprias atividades exercem novas pressões seletivas”, afirmou, destacando que o que acontece no solo, na agricultura, na água ou após um evento climático extremo pode eventualmente chegar ao hospital.

O painel, coordenado pelo médico infectologista Arnaldo Lopes Colombo, ainda contou com as palestras “Pontos de atenção no diagnóstico do imunocomprometido”, de Marcello Magri, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; “Análise Crítica de Métodos para Teste de Sensibilidade aos Antifúngicos”, de Goreth Barberino, do Hospital São Rafael; “O que queremos / teremos para o diagnóstico em micologia médica” de João Nóbrega, do Hospital Albert Einstein.