Edição Mai-Jun 2026 Publicado em: 13 maio 2026 | 09:06h

Casos em cruzeiro reacendem alerta para hantavírus, doença rara e potencialmente grave

Especialista da SBPC/ML afirma que risco de disseminação é baixo, mas destaca importância do diagnóstico rápido e da vigilância epidemiológica

O surto de hantavírus registrado no navio de cruzeiro MV Hondius, que saiu da Argentina rumo a Cabo Verde no início de abril, reacendeu o alerta para a doença, considerada rara, mas potencialmente grave. Dos oito casos suspeitos investigados, cinco foram confirmados laboratorialmente. Três pessoas morreram, embora apenas um dos óbitos tenha sido associado ao vírus até o momento. Especialistas afirmam, no entanto, que o risco de disseminação permanece baixo.

Segundo o médico patologista clínico e virologista João Renato Rebello Pinho, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), a principal preocupação é a rápida evolução da infecção. Nas Américas, a forma mais comum é a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, que pode provocar insuficiência respiratória e choque em poucos dias, com elevada taxa de mortalidade.

“Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, semelhantes aos de uma gripe forte ou outras viroses, o que dificulta o diagnóstico precoce. Febre, dores no corpo, fadiga intensa, dor de cabeça, calafrios e sintomas gastrointestinais, como náuseas e diarreia, estão entre os sinais mais comuns, geralmente surgindo entre uma e cinco semanas após a exposição ao vírus”, explica João Pinho.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados, especialmente pela inalação de partículas contaminadas. O virologista destaca ainda que o vírus Andes, identificado na América do Sul, é o único hantavírus com registros raros de transmissão entre pessoas, geralmente em situações de contato próximo e prolongado. Apesar disso, o membro da SBPC/ML reforça que não há risco de disseminação ampla na população.

No Brasil, a hantavirose apresenta padrão endêmico, com registros anuais desde 1993. Em 2026, já foram confirmados sete casos no país, dois deles em Minas Gerais, de acordo com o Ministério da Saúde. Nenhum tem relação com o genótipo Andes. Para a comunidade científica e médica, o episódio reforça a importância da vigilância epidemiológica, do diagnóstico rápido e da adoção de medidas preventivas, como evitar contato com roedores e ambientes potencialmente contaminados.