Edição Set-Out 2026
Inteligência artificial, inovação, qualidade e regulação marcam segundo dia do 58º Congresso SBPC/ML
O segundo dia do 58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML), nesta quarta-feira (16/9), em Florianópolis, foi marcado por discussões sobre inovação, inteligência artificial (IA), novas tecnologias diagnósticas, qualidade, regulação e os caminhos para a transformação da Medicina Laboratorial. A programação também começou de forma diferente: às 7h, foi dada a largada para a primeira edição da corrida Diagnóstico em Movimento. Com concentração às 6h30, os participantes aproveitaram a manhã de céu aberto para correr com a vista da Baía Sul e da Ponte Hercílio Luz.
Entre os destaques científicos do dia esteve a palestra “Artificial Intelligence and the Future of Laboratory Medicine: Transforming Diagnosis, Therapeutic Discovery and Healthy Longevity”, apresentada pelo cardiologista e pesquisador Mo Jain, fundador e diretor científico da Sapient, empresa de bioanálises sediada em San Diego, nos Estados Unidos. O especialista apresentou perspectivas sobre a combinação entre inteligência artificial e ferramentas capazes de analisar milhares de proteínas, metabólitos e outros biomarcadores, apontando possibilidades de aplicação na prática clínica, na descoberta de medicamentos, na escolha de tratamentos e na avaliação do envelhecimento. A conferência foi presidida por Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, diretor de Acreditação e Qualidade da SBPC/ML.
Segundo Jain, o avanço da análise molecular de alta capacidade, associado à biologia computacional e à IA, abre novas possibilidades para transformar grandes volumes de dados biológicos em informações úteis para a medicina. O movimento sinaliza uma mudança no papel do laboratório, que passa a não apenas identificar alterações, mas também contribuir para a compreensão de mecanismos de doenças, desenvolvimento de terapias e estratégias de prevenção.
A inovação também esteve no centro da palestra “Growth: fueling diagnostics innovation through deals”, apresentada por Kristin Pothier, líder de Life Sciences e Global Deal Advisory and Strategy da KPMG. Coordenada pelo presidente-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Carlos Eduardo Gouvêa, a apresentação abordou as transformações do mercado de diagnósticos e a convergência entre inovação, tecnologia e negócios.
Com mais de dez anos de atuação junto ao mercado brasileiro, Kristin destacou avanços recentes no setor, especialmente no desenvolvimento de novos testes e na incorporação de tecnologias digitais. A inteligência artificial foi apontada como uma das principais forças de transformação, passando de aplicações isoladas para diferentes etapas da jornada diagnóstica, dos fluxos laboratoriais à análise de dados e ao suporte à decisão clínica.
A qualidade dos serviços de saúde também ganhou espaço na programação com a apresentação do Programa de Qualificação dos Prestadores de Serviços de Saúde (QUALISS), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade dos Prestadores de Serviços (GEIQP) da agência, Dra. Raquel Lisboa, apresentou a iniciativa, que busca avaliar, estimular e divulgar informações sobre a qualidade de hospitais, clínicas, laboratórios e demais prestadores da saúde suplementar.
Entre os objetivos do programa estão ampliar a transparência sobre a qualidade dos serviços, oferecer informações que apoiem a escolha dos beneficiários e estimular a melhoria contínua das práticas de atendimento e gestão.
A regulação e a segurança também foram discutidas no painel “Anvisa – Regulação, Riscos e Segurança em Laboratórios Clínicos”, coordenado por Wilson Shcolnik, diretor de Relações Institucionais da SBPC/ML. O encontro reuniu Edmilson Silva Diniz Filho, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que abordou a gestão do risco sanitário em laboratórios.

