Edição Set-Out 2026 Publicado em: 16 setembro 2026 | 16:01h

Mesa redonda apresenta boas práticas para melhorar a experiência do paciente neurodivergente no laboratório clínico

Norma de atendimento ao paciente neurodivergente foi lançada e distribuída aos participantes

A mesa redonda sobre TEA no 58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, abordou desde o mapeamento genético de transtornos do neurodesenvolvimento até boas práticas para laboratórios, incluindo a distribuição de norma técnica para implementação do selo “Amigo TEA”. 

A mesa redonda foi coordenada pela biomédica Itacy Silva, Gerente Técnica do Laboratório de Análises Clínicas e Anatomia Patológica do Einstein Hospital Israelita. Os palestrantes foram o doutor, pesquisador e professor da PUC/PR, Roberto Hirochi Herai, a bióloga Joyce Martins, Key Account da DB Diagnósticos, e o consultor Felipe Augusto Rodrigues.

Em sua apresentação, Dr Roberto Hirochi Herai explicou como é feita a investigação genética com bioinformática para avaliar alteração genética e hereditariedade, como os sequenciamentos de Sanger, de exoma (WES) ou de genoma completo (WGS), utilizando saliva ou swab. 

Joyce apresentou os desafios no acesso ao laboratório, como luzes intensas, ruídos de equipamentos, odores e procedimentos invasivos, que representam gatilhos de sobrecarga sensorial e estresse. A bióloga explicou que o estresse agudo e a contenção física inadequada provocam alterações fisiológicas significativas, como hiperglicemia reativa, leucocitose transitória e elevação de cortisol e prolactina. “Além disso, a agitação motora aumenta drasticamente o risco de hemólise da amostra, garroteamento prolongado e acidentes com perfurocortantes”, afirmou.

Entre as estratégias de atendimento sugeridas estão: agendamento inteligente, em horário de menor fluxo ou espaço especial; anamnese informando sobre as particularidades do paciente; cartilhas ilustradas, adequação do espaço físico, isolamento acústico, iluminação, climatização e odores suaves. 

Da parte administrativa, orientou o desenvolvimento de procedimentos operacionais padrão direcionados ao atendimento de pacientes com necessidades neurodivergentes, treinamento contínuo da equipe, gerenciamento de interferentes, com validação e rigor na identificação de amostras colhidas sob estresse ou com volumes críticos, além de promoção de uma cultura organizacional empática.

Já o consultor Felipe Augusto Rodrigues lançou o primeiro conjunto conhecido de normas de atendimento ao paciente neurodivergente. “Nós criamos o guia para resolver o problema da evasão do cuidado, causada pelo preconceito, falta de adaptação e péssimas experiências anteriores”, explicou. De acordo com o consultor, a experiência pode ser melhorada com técnicas e ferramentas de manejo e controle adequados: salas sensoriais, técnicas de comunicação para facilitar compreensão, previsibilidade nos procedimentos, placas indicativas e treinamento da equipe para um atendimento seguro, empático e tecnicamente adequado para pacientes neurodivergentes.

A coordenadora da mesa também apresentou o case de implementação de um Programa de Atendimento Inclusivo para Pacientes Neurodivergentes no Einstein Hospital Israelita. Itacy explicou que a demanda era a melhoria no fluxo de coletas de pacientes com TEA, com duas metas: diminuição do tempo de espera e aumento da satisfação do cliente. 

O processo começou conhecendo o fluxo atual, identificando as causas dos problemas e propostas de ações de melhoria. Com melhorias como sala sensorial, campo de necessidade especial no prontuário eletrônico do paciente, diretrizes para o atendimento de pessoas com TEA, cartilhas visuais, treinamentos e reciclagens, as metas propostas foram atingidas, demonstrando a eficiência dessas medidas.