Edição Set-Out 2026 Publicado em: 17 setembro 2026 | 07:02h

Diálogos em nefrologia aproximam prática clínica e pesquisa laboratorial no 58º Congresso SBPC/ML

Painel destacou os desafios no diagnóstico precoce da doença renal crônica, a importância da padronização dos exames laboratoriais e os impactos do uso de creatina e anabolizantes na interpretação dos resultados

A integração entre a prática clínica e a pesquisa laboratorial foi o centro das discussões do painel “Diálogos em nefrologia: unindo a clínica à bancada”, realizado durante o 58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Especialistas abordaram os desafios relacionados ao diagnóstico da doença renal crônica (DRC), à interpretação dos exames laboratoriais e à necessidade de maior padronização entre métodos e laboratórios.

Durante a apresentação, mediada pela Dra Maria Gabriela de Lucca, médica patologista clínica, foi destacado que quase 10% da população apresenta doença renal crônica e que cerca de 170 mil pacientes estão em terapia renal. Diante desse cenário, a identificação precoce das alterações renais é fundamental para o acompanhamento adequado dos pacientes.

Um dos temas discutidos foi a variabilidade na dosagem da creatinina. O nefrologista Marcelo Mazza do Nascimento, ex-presidente da SBN e professor na Universidade do Paraná, explicou como diferentes métodos de avaliação, ensaios e laboratórios podem produzir resultados distintos, reforçando a importância da padronização dos processos laboratoriais para garantir maior segurança na interpretação dos exames e na tomada de decisões clínicas.

“A creatina também altera os níveis nos exames. É normal e esperado que isso aconteça. Tão importante quanto essa dosagem é a albuminúria. Hoje, essa avaliação é muito importante para o diagnóstico da doença renal.”, disse o nefrologista.

Outro ponto de atenção foi o uso de esteroides anabolizantes e seus possíveis impactos sobre a avaliação laboratorial da função renal. Segundo o especialista, a associação entre alterações observadas nos exames e o uso dessas substâncias deve ser considerada na avaliação clínica do paciente.

A relação entre creatina e exames laboratoriais também foi abordada. A suplementação pode alterar os níveis de creatinina e, segundo a discussão apresentada no painel, essa alteração pode ser esperada e precisa ser interpretada dentro do contexto clínico do paciente.

O painel também chamou atenção para a albuminúria, que pode fornecer informações importantes para a identificação e o acompanhamento da doença renal. Foram apresentadas ainda situações transitórias capazes de alterar sua dosagem, como a realização de exercícios físicos próximos ao momento da coleta, reforçando a necessidade de considerar as condições do paciente no momento da interpretação do resultado.