Publicado em: 09 julho 2026 | 14:49h

Julho Amarelo reforça a importância da testagem para combater as hepatites virais silenciosas

Diagnóstico precoce e vacinação são essenciais para alcançar a meta de eliminação da doença até 2030

O Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais, chama a atenção para uma realidade que ainda preocupa especialistas: milhares de brasileiros convivem com infecções pelos vírus das hepatites B e C sem apresentar sintomas e, por isso, descobrem a doença apenas quando já desenvolveram complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.

A campanha, que tem como marco o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, reforça a importância da prevenção, da vacinação e, principalmente, da testagem laboratorial para ampliar o diagnóstico precoce e interromper a cadeia de transmissão dessas infecções.

Embora o Brasil tenha avançado na vacinação contra a hepatite B e disponibilize tratamento capaz de curar mais de 95% dos casos de hepatite C, o subdiagnóstico ainda representa um dos principais obstáculos para que o país alcance a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

"As hepatites virais continuam sendo um importante desafio para a saúde pública porque, na maioria das vezes, evoluem de forma silenciosa durante muitos anos. Muitas pessoas só descobrem a infecção quando já apresentam comprometimento importante do fígado. Por isso, ampliar o acesso à testagem é tão importante quanto garantir o tratamento", afirma João Renato Pinho, patologista clínico membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

Aumento de casos de hepatite A

Com o aumento dos casos de hepatite A registrado em diferentes cidades brasileiras, como Belo Horizonte, São Paulo, Sorocaba e Ribeirão Preto, especialistas reforçam a importância da vacinação, que é altamente eficaz na prevenção da enfermidade. 

"Recentemente tivemos alguns surtos e as pessoas devem lembrar que já existem vacinas muito eficazes para evitar esta infecção. A hepatite A costuma ter evolução benigna na infância, mas pode ser mais grave em pacientes maiores de 18 anos", alerta o médico. 

Além da imunização, medidas de higiene, como lavar as mãos e consumir água e alimentos de procedência segura, são fundamentais para reduzir o risco de transmissão.

Diagnóstico ainda é o maior desafio

Entre as hepatites virais, a hepatite C permanece como uma das principais preocupações devido ao longo período sem sintomas. Já a hepatite B, apesar da ampla vacinação, ainda registra transmissão e mantém um contingente expressivo de pessoas com infecção crônica sem diagnóstico.

Outro ponto de atenção é a hepatite Delta (D), concentrada principalmente na Amazônia, onde o Brasil abriga uma das maiores áreas de endemicidade do mundo. A coinfecção pode acelerar a evolução para cirrose e insuficiência hepática. Estudos recentes também indicam que a hepatite E pode estar sendo subdiagnosticada no país, reforçando a necessidade de ampliar sua investigação em casos de hepatite aguda.

Segundo o especialista, hoje o desafio não está apenas na disponibilidade dos exames, mas em garantir que eles cheguem às populações mais vulneráveis.

"O Brasil dispõe de testes rápidos confiáveis para as hepatites B e C e de exames moleculares capazes de confirmar a infecção ativa. O desafio é fazer com que essas ferramentas alcancem as pessoas que mais precisam, especialmente em regiões remotas e entre populações que enfrentam dificuldades de acesso aos serviços de saúde", destaca João Renato Pinho.

Avanços laboratoriais fortalecem o combate às hepatites

Nas últimas décadas, os exames laboratoriais evoluíram significativamente. Atualmente, testes sorológicos permitem identificar infecção aguda, crônica, imunidade e exposição prévia aos diferentes vírus das hepatites. Já as técnicas de biologia molecular confirmam a infecção ativa, monitoram a resposta ao tratamento e auxiliam na vigilância epidemiológica.

Além disso, a expansão dos testes rápidos permitiu descentralizar o diagnóstico e levar a testagem para unidades básicas de saúde, campanhas e ações extramuros, facilitando o acesso da população.

"O laboratório tem um papel estratégico porque permite identificar precocemente quem precisa de tratamento, quem deve ser vacinado e quais populações apresentam maior risco de transmissão. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de evitar complicações e interromper a circulação dos vírus", ressalta João Renato Pinho.

Julho Amarelo é oportunidade para fazer a testagem

Os especialistas lembram que qualquer pessoa pode procurar uma unidade de saúde para avaliar a necessidade de realizar os testes para hepatites virais, especialmente indivíduos com fatores de risco ou que nunca foram testados.

Além da testagem, manter a vacinação contra a hepatite B em dia, adotar práticas sexuais seguras, evitar o compartilhamento de objetos perfurocortantes e realizar o acompanhamento pré-natal são medidas fundamentais para reduzir a transmissão.