Edição Mai-Jun 2026
Semana de Conscientização contra a Obesidade Infantil reforça importância do diagnóstico precoce e da prevenção
Celebrado em 3 de junho, o Dia Nacional de Conscientização contra a Obesidade Infantil chama a atenção para um dos principais desafios de saúde pública da atualidade. Considerada uma doença crônica e multifatorial, a obesidade na infância e na adolescência está associada ao aumento do risco de diversas doenças, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão arterial e enfermidades cardiovasculares.
De acordo com Natasha Slhessarenko, médica pediatra e patologista clínica, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), a identificação precoce do excesso de peso é fundamental para evitar complicações futuras. "A obesidade infantil não deve ser vista apenas como uma questão estética. Trata-se de uma doença que pode provocar alterações metabólicas importantes ainda na infância e aumentar significativamente o risco de problemas de saúde ao longo da vida", afirma.
Uma das principais preocupações dos especialistas é a chamada síndrome metabólica, conjunto de alterações que eleva o risco cardiovascular e diabetes do tipo 2, estando frequentemente associado à obesidade. Por isso, toda criança ou adolescente com obesidade deve realizar avaliação clínica e exames laboratoriais para investigar a presença dessa condição. "O diagnóstico precoce é essencial porque muitas das doenças cardiovasculares começam a se desenvolver ainda na infância. Quanto mais cedo identificarmos os fatores de risco, maiores são as chances de prevenir complicações futuras", explica a especialista.
A investigação da síndrome metabólica começa pela avaliação da circunferência abdominal. Quando a medida da cintura está acima do percentil 90 para idade e sexo, considera-se que há excesso de gordura abdominal. O diagnóstico é confirmado pela presença de, no mínimo, dois outros fatores de risco, como triglicérides elevados, colesterol HDL baixo, glicemia alterada ou pressão arterial elevada. Esses exames ajudam a identificar alterações associadas ao aumento do risco cardiovascular. “A resistência à insulina, considerada o principal mecanismo por trás da síndrome metabólica, desempenha papel central nesse processo”, pontua a médica.
A prevenção também passa pelo acompanhamento regular do crescimento infantil. Um recurso importante nesse processo é a Caderneta da Criança, que reúne informações sobre vacinação, desenvolvimento e curvas de crescimento. "É uma ferramenta perfeita para o acompanhamento e diagnóstico precoce através do acompanhamento da curvatura de peso e de índice de massa corporal (IMC) dessas crianças", resume Natasha Slhessarenko.
Obesidade na infância aumenta o risco de obesidade na vida adulta
A preocupação é reforçada pelos dados epidemiológicos. Estima-se que aproximadamente 80% das crianças e adolescentes com obesidade continuarão obesos na vida adulta. Isso significa que quatro em cada cinco jovens com excesso de peso tendem a manter a condição ao longo da vida, aumentando o risco de doenças crônicas.
Entre as medidas mais eficazes para prevenir a obesidade estão a adoção de uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividades físicas. O consumo frequente de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados, associado ao sedentarismo, está entre os principais fatores que contribuem para o crescimento dos casos.
"As mudanças de hábitos precisam envolver toda a família. A criança aprende pelo exemplo. Quando pais e responsáveis adotam uma alimentação saudável e estimulam a prática de atividades físicas, as chances de sucesso são muito maiores", ressalta Natasha Slhessarenko.
Papel da família, da escola e da sociedade
Especialistas destacam que o enfrentamento da obesidade infantil exige uma atuação conjunta entre famílias, escolas, profissionais de saúde e gestores públicos. A oferta de alimentação saudável no ambiente escolar, ações de educação nutricional, melhoria da rotulagem dos alimentos e criação de espaços seguros para atividades físicas são medidas fundamentais.
Outro desafio é a redução do tempo de exposição às telas. O uso excessivo de celulares, tablets, computadores e televisão favorece o comportamento sedentário e reduz o tempo dedicado às atividades físicas e recreativas. "A prevenção da obesidade infantil depende de um esforço coletivo. Quanto mais cedo forem adotadas medidas de promoção da saúde, maiores serão os benefícios para a qualidade de vida e para a redução do risco de doenças na vida adulta", conclui a pediatra e patologista clínica da SBPC/ML.

